15 erros de inglês que quase todo brasileiro comete
Alguns erros desaparecem em um mês de estudo. Outros sobrevivem dez anos, três cursos e um certificado — porque ninguém te interrompe no meio da frase para avisar. Estes quinze vêm direto do português, e é justamente por isso que eles grudam.
Erros de gramática que vêm do português
- I have 25 years → I am 25 (years old)Em inglês idade é com o verbo to be, não com have. Tradução direta de "tenho 25 anos" — e é o erro mais reconhecível de todos.
- I am agree with you → I agree with you"Concordar" é verbo em inglês: agree. Nada de am/be na frente.
- He work in a bank → He works in a bankO -s da terceira pessoa. Você sabe a regra; o problema é que ela desaparece na velocidade da fala. É o erro nº 1 em todos os níveis, inclusive avançado.
- I did a mistake → I made a mistakePortuguês tem um "fazer"; inglês tem do e make. Make = criar/produzir (a mistake, a decision, dinner). Do = executar (homework, a favour, the dishes).
- I have 5 years that I study English → I've been studying English for 5 yearsEstrutura de "faz 5 anos que…" não existe em inglês. Use present perfect continuous + for.
- Explain me this → Explain this to meExplain, describe, suggest e mention pedem to me — não dá para colocar a pessoa direto depois do verbo, como em "me explica".
- What means this word? → What does this word mean?Pergunta em inglês precisa de do/does/did e ordem normal. Essa é a que mais entrega tradução literal.
- People is very kind here → People are very kind herePeople já é plural (uma person, várias people). "As pessoas é" não passa.
- I go to there every day → I go there every dayThere, here e home não levam to. "Vou lá" ≠ "vou para lá" na estrutura.
- I'm here since two hours → I've been here for two hoursFor + duração (two hours), since + ponto de partida (2019, Monday).
- Yesterday I have gone to the cinema → Yesterday I went to the cinemaTempo terminado (yesterday, last week, em 2020) pede simple past, nunca present perfect.
- I'm boring in this class → I'm bored in this class-ing descreve a coisa, -ed descreve você. "I'm boring" quer dizer que você é a pessoa chata.
Falsos cognatos que mudam o sentido da frase
- Actually I live in São Paulo (=atualmente) → Currently / Nowadays I live in São PauloActually significa "na verdade", não "atualmente". Você acaba corrigindo alguém sem querer.
- I pretend to travel next year → I intend / plan to travel next yearPretend é "fingir". Você acabou de dizer que finge que vai viajar.
- I have a doubt → I have a questionDoubt é desconfiança, não dúvida-pergunta. "I have a doubt" soa como "eu duvido disso".
- The college of medicine → The medical school / facultyCollege nos EUA é a graduação inteira, não a faculdade-unidade. E college ≠ colégio (que é high school).
- I need to realize this project → I need to carry out / complete this projectRealize = perceber, dar-se conta. Realizar-executar é carry out.
Pronúncia: três coisas que atrapalham de verdade
Seu sotaque não é problema. Estes três pontos, sim, porque mudam a palavra:
- dog → "dogui" / Facebook → "Facebooki" → dog / Facebook (termina na consoante)Português quase não tem palavra terminada em consoante, então a gente adiciona um /i/ no fim. É o traço mais forte do sotaque brasileiro em inglês.
- worked → "work-ed" (2 sílabas) → "workt" (1 sílaba)O -ed tem três sons: /t/, /d/ e /ɪd/. Só vira sílaba extra depois de T e D (wanted, needed).
- think → "fink" / "tchink" → th = língua entre os dentesDois minutos na frente do espelho resolvem anos fugindo desse som.
Tem um quarto ponto, mais de ritmo que de som: o inglês acentua as palavras de conteúdo e engole o resto — "I WENT to the SHOP to buy some BREAD". Falar tudo com o mesmo peso deixa você compreensível, mas cansativo de ouvir. Consertar o ritmo muitas vezes rende mais que consertar sons isolados.
O método de um erro por semana
Tentar consertar tudo de uma vez não conserta nada. Faça assim:
- Grave 60 segundos falando do seu dia. Gravador do celular serve.
- Ouça uma vez e anote todo erro que perceber. Vão aparecer de cinco a dez — isso é normal, não é ruim.
- Escolha o que mais se repete. Geralmente é o -s da terceira pessoa ou um tempo verbal.
- Cace só esse por uma semana. Toda vez que falar, esse é o único erro que você observa. Ignore os outros de propósito.
- Grave de novo no dia 7. O erro caçado vai estar visivelmente mais raro. Aí escolha o próximo.
Seis semanas, seis erros — e são exatamente os seis que faziam você soar como aluno. Funciona melhor que qualquer app de gramática, porque você remove os seus erros em vez de treinar regras que já sabe.
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Por que eu erro mesmo sabendo a regra?
Porque saber e fazer usam sistemas diferentes. Regra fica na memória lenta e consciente; falar acontece rápido demais para consultar. Só a repetição na fala real transforma regra em automático.
Devo me corrigir no meio da frase?
Uma vez está ótimo e soa natural. Duas vezes na mesma frase e você perde o fio — termine a ideia e depois repita a frase certa, se quiser.
Erro de gramática importa se a pessoa me entende?
Em conversa do dia a dia, quase nada. Em entrevista, apresentação e prova, sim — erro básico repetido é lido como nível baixo mesmo quando a sua ideia é excelente.
Qual a forma mais rápida de matar o meu pior erro?
Caçar um erro por semana, em voz alta, com alguém (ou algo) que te corrija na hora. Um erro por semana rende mais que um livro de gramática por mês.
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